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Amarildo

Uma placa da Rua Pacheco Leão, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, recebeu adesivos colados sobre o texto original, substituindo o nome da faixa pelo ajudante de pedreiro Amarildo Souza, morto na comunidade da Rocinha no ano passado. Mudança ilegal chamou a atenção de pedestres e comerciantes mais observadores. Desde então, a placa da rua Von Martius, também no Jardim Botânico, teve intervenção similar.

Em ambas as vias, o espaço da placa dedicada às palavras que descrevem o significado histórico do homenageado, logo abaixo do nome, o texto foi substituído por “torturados e assassinados por PMs da UPP Rocinha”. Em Pacheco Leão, não há informações sobre quem colou o novo texto no cartão e os comerciantes que cercam não vê qualquer movimento suspeito na esquina da rua, uma vez que o sol nasceu.

Amarildo desapareceu depois de ser levado pela polícia militar para interrogatório na sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) durante a “Operação Paz Armada”, para combater o tráfico na comunidade, entre 13 e 14 de julho de 2013. Vinte e cinco policiais são julgados por participação no caso.

Na UPP, o pedreiro teria passado por uma investigação. Após este processo, de acordo com a versão de PMs que estavam com Amarildo, eles ainda passou por várias partes da cidade do Rio antes de retornar para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora, onde as câmeras de segurança mostram as imagens mais recentes Amarildo, que, de acordo com o polícia, teria deixado o local sozinho – um fato não registrado pelas câmeras.

Após depoimentos, foram identificados quatro policiais militares que participaram activamente na sessão de tortura que Amarildo teria sido submetido na lateral do container da UPP Rocinha. Segundo os promotores, testemunhas disseram à polícia sobre o envolvimento desses PMs no crime. Após seis meses de busca pelo corpo do pedreiro, o tribunal decretou a morte presumida de Amarildo.

A morte presumida substitui a certidão de óbito, que só pode ser emitido quando há o corpo – o corpo de Amarildo nunca foi encontrado – e permite que a família receber uma pensão ou compensação, entre outras funções. Em primeira instância, a ação declaratória foi desfeita.

Amarildo
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