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Press / Interviews

Revista OCanival

Não se nasce índio, torna-se. Mesmo quem vem ao mundo em Segóvia na Espanha, pode se dar esse luxo supremo, como o artista plastico Julio Lucio, que virou índio ali pelo ano de 2002. Até o fim de 2001, ele era engenheiro de software em Londres, onde levava “uma vida opulenta com muitos confortos”. Enfurecido com a guerra contra o Afeganistão, decidiu que não viveria por opção num país em guerra. Fez as malas e veio para o Brasil.

Depois de um rolé pelo Brasil de norte a sul, acabou voltando para o Rio, onde começou a assistir aula de Iole de Freitas no Parque Lage. Exatamente no cenário do clássico Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade, começava sua vida de artista plástico e de carioca. Hiperativo, frenético, artista, cientista, inventor e peladão nas horas vagas (é sempre o primeiro a tirar a roupa nas festinhas), Julio conta sua trajetória sui generis e sua visão de mundo otimista, colorida e despida de tabus.

“Ficar nu é um dos melhores tratamentos para a autoaceitação”.

Como veio parar no Rio?

Morava em Londres, onde conheci um carioca, Fabio Policarpo. Trabalhava como engenheiro de software e tinha uma vida opulenta com muitos confortos e um alto salário.Quando o Reino Unido resolveu fazer parte da invasão do Afeganistão, não concordei com aquela sacanagem e resolvi não morar em um pais em guerra. Deixei meu trabalho e decidi tirar umas longas férias para pensar que eu ia fazer da minha vida.Cheguei ao Rio no carnaval de 2002. Logo depois, com mochilão, pé de pato e arpão, me mandei para conhecer o país. Peguei um ônibus para Floripa, onde fiquei um mês, comprei um fusca e comecei a viajar pela costa brasileira em direção ao Nordeste. Pesquei, dirigi, acampei, conheci pessoas maravilhosas, até que, um pouco depois da Bahia, acabou minha grana e tive que voltar para o Rio.

Sem muito ânimo de voltar para Europa depois de ter conhecido um pouquinho da cultura nacional, resolvi alugar uma casa em Piratininga (Niterói). Logo comecei a assistir aulas de Iole de Freitas no Parque Lage. Ali começava minha vida de artista plástico.

Como se tornou um legítimo carioca?

Ser carioca é fácil. Qualquer um que está em pé na cidade do Rio é carioca, mas sempre existe uma discriminação. Sendo gringo-carioca você sempre paga mais por tudo, muitas pessoas querem tirar vantagem de você. Mas pela cultura de imigração, me sinto muito bem integrado à cidade. Além disso, pelo fato de ser de fora, tive a oportunidade de conhecer pessoas e lugares da cidade que às vezes os verdadeiros cariocas, por preconceito ou medo, não conhecem, pois ficam fechados dentro de seu próprio círculo sócio-cultural. Acho que conheço o Rio e seus habitantes bem melhor que a maioria dos cariocas. Sou espanhol mas sou peixe carioca, sou esparioca.

Você é mestre em física e eletrônica, hoje se dedica às artes plásticas. Fala um pouco mais sobre a mudança.

Sempre fui muito criativo, e há anos já fazia escultura de madeira e desenhos. Mas comecei minha formação artística real no Parque Lage, em 2002. Muitas das minhas idéias para criar objetos que se mexem, deslocam ou interagem se tornaram possíveis com a descoberta de algumas ferramentas em desenvolvimento aberto, como Arduino e OpenFrameworks. Arduino é um aparelho que me deu a possibilidade de transformar muitas das minhas ideias em objetos reais. Este aparelho permite usuários não muito avançados ligar sensores e atuadores (motores, luzes e etc..) e programar um sistema interativo.

Durante estes anos, fui aprendendo mais eletrônica até chegar ao ponto de criar meus objetos. O OpenFrameworks permite criar programas de computador e utilizar algoritmos de visão computacional de forma não muito complicada. Também minha experiência como engenheiro de software e a descoberta destra plataforma facilitou a visão de novas possibilidades de instalações interativas.

Estar no Brasil influiu nessa mudança de carreira?

A cidade do Rio é uma cidade de lazer, onde a beleza da natureza, a simpatia das pessoas estimulam minha mente, e dão momentos de reflexão criativa muito especiais. É por isso que tem tanto artista nesta cidade; ela estimula a boêmia e o pensamento criativo.

José Celso Martinez diz que os atores têm que cultivar o ócio, se entregar à vida aonde quer que ela se apresente, dar o melhor de si na vida, para dar o melhor de si para o público. A afirmação serve a todas as classes de artista?

Totalmente. E no Rio, o fato de ser uma cidade onde você se sente bem, rodeado de visões lindas e pessoas maravilhosas, estimula corpo e mente. Este estimulo e os momentos de tranquilidade, curtição e lazer, permitem que essa beleza se transmita aos pensamentos, às idéias e às criações dos artistas.

O fato de ser uma cidade de grandes contrastes também ajuda à expressão de visões diferentes do mundo, de diferentes pontos de vista sobre o processo criativo dos trabalhos, posibilitando diferentes solucões. A ebulição artística atual também estimula a comunicação entre artistas e a criação de projetos colaborativos.

Zé Celso, ainda, diz que todos no mundo devem estar preparados para a nudez. Sabemos que você está super preparado! Mas nem todos estamos. Algum conselho para a galera se liberar?

No Rio, ninguém vestia roupa antes da chegada do catolicismo. Há 500 anos, a cruz chegou e matou pessoas até vesti-las e convertê-las ao catolicismo. Assim, formou-se uma cultura de pudor e preconceito mais intensa até que nos países que originaram este pensamento de pudor, países onde a roupa é necessária pelo frio tanto no inverno quanto no verão.

Esta cidade convida a ficar sem roupa, a ficar tomando banho constantemente, como os índios faziam 500 anos atrás. Nascemos sem roupa, e nesta cidade tem épocas do ano onde a roupa sobra, especialmente na praia. Menos roupa e mais chuveiros públicos é o que precisamos para voltar às origens indígenas. Pessoas peladas pela Rio Branco caminhando embaixo de chuveiros.

Ficar nu é um dos melhores tratamentos para a autoaceitação. Ficando nus, expomos todo nosso corpo como ele é, sem maquiagens, sem máscaras de carnaval. Nus somos o mesmo, e não tem nada para ocultar, pau grande, pau pequeno, peito grande, peito pequeno.

Ficando nus, nos sentimos nós mesmos, sem tapumes. No começo também era difícil tirar a roupa em público, mas agora é super tranquilo. Nos primeiros dez minutos pode se sentir vergonha e ate um tesão, mas pouco depois se sente bem, bonito, e não sente tesão nenhum. Acho que temos que aprender a ficar nus para poder desligar a nudez do sexo.

Estive no Inhotim recentemente, e em uma das galerias está a obra de Helio Oiticica e Nevile de Almeida “Cosmococas”. Há uma piscina que serve para o público pular se quiser. Iamos entrar, mas fomos censurados pelos funcionários do museu, que disseram que só rolava mergulhar de roupa, pelado era proibido. Helio Oiticica deve estar muito puto da vida lá no caixão, concorda?

Com certeza. Hélio foi revolucionário e lutou contra o preconceito da ditadura e do catolicismo. O problema é que ficar pelado está muito unido ao sexo na mente das pessoas. Ficar pelado não é sujo, sujas são as mentes. Temos que aprender a estar nus sem ter que ficar trepando, sendo a nudez uma coisa natural e não sexual. Eu também fui proibido de mergulhar pelado em Inhotin.

Seu trabalho é bastante influenciado pela tecnologia. Tem como resistir à tecnologia? É normal que atualmente todos conversem com telefone na mão conectados no Google e Facebook? Ou nada disso te incomoda?

Sou completamente dominado pela tecnologia, desde sempre fui um tecnoadicto. A tecnologia nasce comigo e fomos crescendo juntos numa conversa amiga. Tecnologia sempre esteve perto da humanidade, e a humanidade sempre a idolatrou. Desde a roda, o fogo, a máquina à vapor, tudo sempre foi adicionando maiores graus de conforto à vida dos humanos.

Agora a tecnologia digital abriu um novo jeito de nos estimularmos e de nos conhecermos. E é bom se deixar dominar por ela, pessoas se deslocam no espaço através dos dispositivos móveis e a informação e conhecimento ficam ao alcance da mão de qualquer um sem preconceitos.

Cultura e conhecimento passaram de objetos vendáveis a conhecimento que se transmite cérebro a cérebro, a domínio publico, e com liberdade total de acesso para pobres e ricos, para novos e velhos. Acredito que nas próximas gerações viveremos uma ebulição de gênios e pessoas muito cultas e muito jovens, que vão nos orientar em como mudarmos nossa sociedade para ser mais igualitária, mais eficiente e sustentável.

Acredito na tecnocracia, sociedade onde as moedas de troca são os conhecimentos, em que as pessoas não trabalham para enriquecer, trabalham em conjunto para produzir conhecimento, e máquinas produzem o que necessitamos, e cuidam de nós, máquinas autossuficientes, que se autofabricam, autoalimentam, autoconsertam. Assim poderemos ficar pensando, estudando, evoluindo culturalmente e não engordando nossas contas bancárias.

Acredito também na ciênciocracia, sociedade regida e comandada pelos melhores cientistas, pelos melhores poetas, médicos, biólogos, músicos, artistas… e não por um bando de corruptos comandados por lobbies de empresas privadas.

Suas obras gliterbot e purpurybot remetem bastante ao carnaval, um dos temas favoritos do Canibal. Como nasceram os trabalhos?

Minha amiga cineasta Marion Naccache um dia me pediu para construir um robô para ela. Perguntei o que ela queria que o robô fizesse. “Que me purpurine”. Aí lembrei da imagem de soprar purpurina no rosto das pessoas que tanto se repete no carnaval. Assim foi criado o purpuribot, robô que tem três tubos de purpurina e quando aproximado da cara ele mexe uma ventoinha que assopra a purpurina. Depois observei que as pessoas não compreendiam que tinha que colocar a cara perto para ser ativado. Assim surgiu a ideia de glitterbot, que se ativa com nossa presença, se desloca até a nossa cara e solta um jato de purpurina nela.

Em que tem trabalhado agora?

No momento estou trabalhando em três projetos. O primeiro deles se chama Non Stop Motion, no qual trabalho há anos. Trata-se de desenvolver uma câmara fotográfica espaçotemporal, que captura imagens de uma cena desde várias posições e orientações no espaço e no tempo. As imagens capturadas por ela podem ser reproduzidas posteriormente com controle do ponto de vista no espaço e no tempo. É difícil de explicar.

O segundo projeto em que trabalho há vários meses é chamado Sexapod. Hexapod é um robô com seis patas. Sexapod será um robô sexual de seis patas, que vai perseguir as pessoas e se esfregar nelas, com movimentos que simulam os movimentos da copulação dos mamíferos.

O terceiro é uma serie de trabalhos que mostram diferentes movimentos ondulatórios e harmônicos de objetos. Panos e fios rodam e balançam, e o usuário pode controlar as frequências e velocidades dos movimentos usando alguns botões.

(retrato de Julio por Cassia Tabatini em The Nude Project; restante fotos de divulgação)

 

 

 

Estudo Movel- TV Brasil

Jhonas Federman – ECO UFRJ

 

Lucas Paraizo – Sonar 2009

LA CONTRA: JULIO LUCIO MARTIN, TECHNOARTISTA.
“NO PUEDO ESTAR SIN HACER NADA”

Julio Lucio Martin nunca fué buen estudiante. Pero gracias a un profesor de física del colegio las cosas empezaron a cambiar. Aprendió la física de una manera diferente y apostó por ella.
Desde pequeño le gustaba jugar con las máquinas. Montaba y desmontaba todo tipo de aparatos electrónicos y por su culpa muchos de ellos nunca volvieron a funcionar… por lo menos no de la manera como solían funcionar antes.

ENTENDER SUS PIEZAS?
¿CUÁNDO LA FISICA DEJÓ DE SER FÍSICA Y EMPEZÓ A SER ARTE PARA TI?

Yo siempre hice muchos tipos de creaciones. Era un poco inventor, pero nunca desde el punto de vista del arte. Lo que pasa es que posteriormente todas estos “inventillos” se empezaron a encajar en una serie de workshops que participe así como en las piezas de gente que estaba dentro de un circuito artístico. Entonces, de alguna forma, a estas creaciones que hago las tengo que llamarles arte. Aunque ni siquiera sé si son arte o no.

¿Y QUÉ SON?

Yo llamaría más bien creaciones.

¿Y QUÉ CREACIONES SON ÉSTAS?

Son objetos que no estaban en el mundo anteriormente y que creo que tienen que estar.

¿NO ESTABAN EN EL MUNDO ANTERIORMENTE? ¡QUE IMPORTANTE ERES!

Hay muchas cosas que no estaban en el mundo y que la gente crea ¿no?

¿Y QUÉ ES LO QUE NO ESTABA EN EL MUNDO Y QUE HAS APORTADO TU?

Esta máquina que es un altavoz que hace ver a la gente como se comportan las ondas sonoras, por ejemplo. La verdad es que no se si están en el mundo o no, pero son cosas que pasan por mi cabeza y que tengo la necesidad de llevarlas al mundo. Tampoco me preocupo en hacer una investigación previa para saber si alguien ya lo ha hecho o no. Eso para mí da igual.

¿Y DE DÓNDE SALEN ESTAS IDEAS?

Salen de mezclar todas las tecnologías emergentes disponibles que me interesan y generar nuevos usos para ellas. Mezclarlas es darles nuevas aplicaciones y no tan solo utilizarlas de forma estándar.

¿QUÉ NUEVAS TECNOLOGÍAS SON ÉSTAS?

Desde cámaras, ordenadores, software de captura de movimiento, nuevos sensores y todo lo emergente.

¿LAS IDEAS DE TUS OBRAS NACEN COMO UN CONCEPTO O RESULTAN DE COMBINACIONES ALEATORIAS QUE VAS PROBANDO?

Mi proceso creativo creo que se parece al del escultor que coge un elemento y empieza a darle porrazos hasta llegar a una forma. Yo empiezo por la materia. Mi materia prima no es madera o piedra, si no una serie de componentes electrónicos, softwares y hardwares que están disponibles. Y con esas materias se me ocurren nuevas formas de combinarlas para producir nuevos objetos sin un fondo artístico o conceptual a priori sino más bien para el disfrute de los sentidos.

PERO LUEGO LO LLAMAS ARTE…

Tengo que llamarlo de alguna forma…

¿POR QUÉ?

No lo sé. Supongo que es porque me han dicho que es lo tengo que hacer si quiero exponer, conseguir subvenciones y seguir investigando. Yo no puedo decir que hago unos “inventillos”. O entonces tengo que buscar otro tipo de mercado y de subvención para producirlos como por ejemplo ir al mundo de la empresa y así desarrollarlo comercialmente.

¿Y HAS CONSEGUIDO SUBVENCIONES ARTÍSTICAS O COMERCIALES?

Pues realmente muy pocas. He conseguido un par de ellas, pero gran parte del presupuesto lo pongo yo.

¿HACES TRABAJOS PARALELOS?

Si, para otros artistas, cuando necesitan trabajar con tecnología. También trabajo para algunos centros de investigación artísticos, como el HANGAR, en Barcelona. Y doy clases de programación, workshops, alguna conferencia…

HAS TRABAJADO RECIENTEMENTE CON UN MAGO DE NOMBRE JULIÁN PEREZ. ¡CUÉNTANOS QUE TAL LA EXPERIENCIA!

Es un proyecto que empezó a desarrollarse en el año 2007. Julián es un mago de los que actúan de cerca, directamente con el público. Entonces, cuando quiere mostrar sus trucos en un escenario más grande necesita una cámara cenital sobre su mesa para que se le vean las manos y un proyector que enseñe a la audiencia lo que él está haciendo. A partir de allí, en el Workshop “Interactivos?” del MediaLab Prado de Madrid, se desarrollaron una serie de trucos que aprovechan que hay una cámara y un proyector para poner en el medio un ordenador y un procesador de imagen con lo cual se pueden tomar fotos, añadir o quitar objetos en la proyección y al mismo tiempo capturar objetos o acciones con la cámara. Así se creó la posibilidad de inventar y ampliar trucos con la ayuda de ese tipo de tecnología de captura y proyección. Recientemente he desarrollado con Julián una mesa de magia que tiene un ordenador dentro con el mismo sistema de la cámara y del proyector para realizar todos estos “technotrucos” y unos zapatos que, vía bluethoot, le permite controlar los comandos de la mesa.

¿QUÉ TAL LA EXPERIENCIA DE EXPONER EN EL SÒNAR?

Bueno, llegar hasta allí no ha sido fácil. Durante dos años escribí al curador del Sònar hablando y ofreciendo mi trabajo pero nunca recibí respuesta. Entonces busqué y pedí ayuda a varias personas que lo conocían para que me hiciera caso. Y a partir de allí conseguí que leyera uno de mis emails y me diera la oportunidad de exhibir en el Sònar. Y la verdad es que fue muy divertido ver como las personas reaccionaban a las piezas que he inventado.

¿EXPONER EN EL SÒNAR CAMBIA ALGO EN LA VIDA DEL ARTISTA?

Por ahora no… (risas). Pero supongo que tener este festival en el currículo ayuda a que te hagan un poco más de caso.

¿Y CUALES ERAN LAS PIEZAS QUE EXPONÍAS EN EL SÒNAR?

Son tres obras bastante diferentes. La primera se llama Sound Walk y consiste en una especie de secuenciador humano a través del cual las personas activan sonidos que hacen parte de una melodía y que combinados suenan de forma rítmica. La pieza utiliza una interface proyectada con la cual las personas juegan activando y desactivando sonidos cuando caminan sobre ella.
Este es un proyecto que empecé solo pero a la hora de jugar con los sonidos, no sabía muy bien como funcionaban los sistemas musicales y por eso busqué la colaboración de una compositora de Barcelona llamada Nika, quién ha hecho todas las músicas para la pieza y que me ha ayudado a entender el funcionamiento de los samplers en una composición, como se conectan unos con los otros, los bit per minute, etc.

La otra pieza se llama Cymatics, que es, por definición, el movimiento de los materiales a partir de las vibraciones sonoras. Esta es una pieza de una serie – ya he hecho otras dos antes – en la cual un altavoz mediante sus ondas sonoras mueve algún material. En ella hay dos sensores de ultra sonidos que miden la distancia a la que se posicionan las manos del espectador, y con esta información se producen dos ondas que se reproducen en el altavoz y que son capaces de mover materia (es este caso un polvo blanco) según van cambiando su frecuencia.

Y la última pieza se llama I_man:es. Es una escultura sin muchas pretensiones en la que me interesaba mostrar como un hilo se puede tensar en el aire sin estar atado a ningún otro punto, solamente por la fuerza de unos imanes. Como oscilan y vibran según la intensidad de la fuerza magnética.

LA INTERACTIVIDAD ESTA MUY PRESENTE EN LO QUE CREAS ¿NO?

Todo es interactivo ¿no? Cuando se habla de interactividad yo muchas veces pienso que la gente no sabe lo que dice. Para mí lo interactivo es todo lo que permite una interacción con el humano. Una pieza interactiva puede ser una bombilla y un interruptor. Yo no definiría lo que hago como arte interactivo porque todo es interactivo de cierto modo.

PERO LO TUYO ES UNA RELACIÓN DE INTERACCIÓN ESPECÍFICA: HOMBRE Y MAQUINA.

Bueno, en estos casos hay una interacción definida. En el caso del altavoz CYMATICS la interactividad es la distancia: tu coloca las manos en la pieza y esta información de donde están puestas las manos se utilizan para generar movimiento en una materia.
En el caso del SOUND WALK tus posiciones en el espacio se utilizan para disparar unos samplers u otros.
Yo no diría que son piezas interactivas pero que tienen una interactividad abierta porque cualquiera de ellas podría definir nuevos comandos o patrones de funcionamiento o interacciones.

EL QUE TUS PIEZAS DEPENDEN DE LA INTERFERENCIA DEL PUBLICO ES INNEGABLE ¿NO?

Sí, pero todas las obras dependen del público, o no.

¿QUÉ ES LO QUE HAS APRENDIDO DE TUS OBRAS?

No me gusta llamarles obras. Creo que por no estar terminadas sería mejor decir prototipos.

¿PROTOTIPOS?

Bueno, quizás piezas esté mejor.

VALE, PIEZAS. ¿QUÉ HAS APRENDIDO DE TUS PIEZAS?

Veo como las personas se comportan delante de cada pieza. Veo la utilización de la interface para cada usuario. Veo como está funcionando la máquina y me hace sobretodo pensar que es lo que tengo que cambiar para mejorarlas porque no creo que estén terminadas. Y desde luego eso influencia en mis próximas piezas.

¿LA INTERACCIÓN ENTRE HOMBRE Y MAQUINA PUEDE CAMBIAR EN ALGO EL MUNDO? ¿O ESO ES UNA UTOPÍA?

Yo creo que sí. Este tipo de sistema de captura de movimiento y proyección, por ejemplo, puede ser la gran revolución del hogar. Tendremos nuevos tipos de iluminación que nos sigan y se adapten a nuestras acciones. Nuevos controladores proyectados que nos permitan accionar el vídeo, el reproductor de música o cualquier otro aparato desde dónde estés y una serie de cosas que ahora mismo todavía están en el mundo del arte pero que poco a poco se irán incorporando a nuestra vida cotidiana.

¿Y DEJARÁN DE SER ARTE?

Yo creo que una creación tiene dos caminos: el de la industria y el camino de lo que podemos llamar arte, placer o disfrute. Uno puede convertirse en el otro y viceversa.

¿Y EN CUÁL DE ESTOS DOS CAMINOS ESTÁS TU?

Yo estoy en el camino de la creación. De llevar al mundo cosas que creo que tienen que estar y no están. Actualmente el arte es la única forma de hacer que las personas vean lo que creo. Por supuesto que algunas de mis ideas y piezas pueden tener alguna aplicación industrial y si tuviera financiación para producirlas industrialmente, lo haría.

¿QUÉ ES LO QUE TENGO QUE SABER SOBRE JULIO LUCIO PARA ENTENDER SUS PIEZAS?

No hay mucho que saber. Soy un hiperactivo: nunca puedo dejar de pensar y probar cosas. Y que necesito trabajar para producir si no me aburro y me deprimo. No puedo estar sin hacer nada.